sábado, 27 de fevereiro de 2010

Minha vida se escreve com "V" de vilão.

- Olá! Meu nome é Caio Marazzo e escrever nesse blog me faz feliz, melhora minha pele e regula meu intestino.

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Se você me conhece, sabe que eu já trabalhei nas mais diversas empreitadas que a vida pode oferecer ao homem e, sim, tenho apenas 20 anos de idade.
Dessa vez, resolvi aventurar-me no mundo das vendas. Sou oficialmente um vendedor de tênis numa loja de shopping, olha que bacana.
Durante a juventude, sempre pensei em o quão legal seria trabalhar como vendedor. Eles sempre parecem ser muito animados, divertidos e de bem com a vida. Mas eu também já pensei que Mc donalds servia comida de qualidade, então...

Eu tenho um crachá, nesse crachá está escrito o meu nome na parte de cima e na parte de baixo está escrito VENDEDOR. Isso significa que eu tenho uma função a cumprir e nesses últimos dias eu venho descobrindo-a e aperfeiçoando-a.

Sim, minha função é vender. Não é a de servir de elo entre a vontade do cliente comprar e a compra em si. Não é a de auxiliar o comprador, e definitivamente, minha função não se resume a fazer com que o cliente encontre exatamente o que ele precisa. Minha função, volto a dizer, é a de VENDER.

Comecei a trabalhar na loja com o estoque esburacado por conta das vendas de Natal. Isso tornou tudo mil vezes mais complexo. Mas foi ai que comecei a descobrir a maldade da coisa toda. Visto que se não tenho oq o cara quer, sou obrigado a convênce-lo a levar oq eu tenho, mesmo que ele não queira.

- Mas se ele não quer, como ele vai levar?

É ai que entra a vilania do vendedor, que passa por testes rústicos e maléficos a ponto de tornar-se tão malandro e dissimulado que consegue convencer uma senhora de idade a levar um Nike Shox vermelho-sangue pra corrida na montanha.

Vendedores foram esculpidos numa pedra que só se encontra no inferno.

Nunca confie num vendedor.

Vendedores falam, não ouça.




- Oi, esse tênis é bom pra corrida?
- Não. Mas dá uma olhada nesse outro aqui...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O rato

Me parece que o bom rato
Não entende o simples fato
De que ir atrás de um gato
É ausência de noção

Mas eu soube que o tal rato
Aquele sempre atrás do gato
Pensa nisso como um ato
De perfeita intuição

Mas pergunto pro tal rato
Se ele é louco ou fez teatro
Se é capaz de ver num gato
Algum viés de compaixão

E ele me responde brando
Sem cautela, revelando
Como se eu fosse o cego
E ele o tato, me guiando

O gato preto é majestoso
É terrível, poderoso
Um gigante impiedoso
Seu desejo é devorar

É veloz e inteligente
Tão esperto quanto a gente
É capaz de ser valente
Mesmo estando a perigar

Mas o gato tem fraqueza
Disso pode ter certeza
Pois quando ele sobe à mesa
Vem um homem lhe tirar

E se o homem é tão mais forte
Esse gato então tem sorte
Por alguém de grande porte
Não querer lhe devorar


É essa, então, a teoria
Que o tal rato repetia
Na qual diz que a hierarquia
Serve mesmo é pra enganar

Foi por tal que o grande gato,
Quase aluno de internato,
Descobriu que o ser mais forte
Nunca mata o ser mais fraco

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O rato, de Caio Marazzo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quem você quer comer esse ano?

Sabe quando o ano passa? Então, passou.

2009 já se foi e agora é a vez de 2010. Ando pelas ruas e vejo todo mundo falando desse tal 2010. Vou ao mercado e as pessoas comentam sobre 2010. Brincando com as crianças, adivinhem só, elas estão falando sobre 2010. E os velinhos parados no sinal estão comentando justamente sobre a chegada de 2010. Em resumo, todos me parecem muito empolgados com o novo ano. Mas minha dúvida é: Qual o motivo disso?

Pelo que sei, aquele cara gordinho de pau pequeno, o mendigo do ponto final do 269, o pobretão que mal tem dinheiro pra consumir o bolo grátis que dão no mercado pela manhã, todos esses vão continuar, em 01/01/10 os mesmos infelizes miseráveis que eram no dia 31/12/09. Então pq tanta farra, meudeus!?

Eu mesmo te respondo: Pq nego é esperançoso. Até o panacão do andar de baixo que não pega ninguém, essa manhã foi à farmácia comprar camisinhas. Ou seja, as pessoas estão realmente crentes que esse ano elas vão mudar de vida. Que vão conseguir fazer de 2010, um ano mais próspero, mais dinâmico, mais saudável. Então se você ainda não fez sua listinha de promessas e vontades, ainda dá tempo. Tente! Você não perde nada com isso.

Ps: Quem você quer comer esse ano?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Minha vida e Isabela (Parte3)

"Não me privo do andar por medo de cair..."


Eu já podia ouvir de longe o agradável som das trombetas angelicais que anunciavam meu chegar ao recanto de Deus. Meu decoro não haveria de ter sido em vão e minha inabalável crença na boa fé se mostrava brilhante e presente. Não menos presente se fazia a face da vergonha. Aquela que ao meu lado mostrou-se fortemente criticadora e igualmente relevante. Nenhuma das partes de mim, naquele momento, faziam junção ou mesmo entravam no costumeiro consenso. Pensei em reaver em forças e as rédeas com alguma reza de bolso, assim de mão juntas, só mesmo pra dizer que rezava. Mas a concentração pra tal, parecia luxo dos mais impossíveis. Me faltava a figa, a força, a fé. Da letra F gozei apenas da fraqueza e do frio, que mesmo na manhã de sol, me cortava a espinha. As horas se passaram como se não passassem. O que relevava sua partida era somente a luz que dançava no chão, num ritmo lento como a quem diz "não se preocupe", como a quem lhe conforta a mando do bom senso.
Os passos a seguir se fizeram após a porta. A coragem me tomou e parti em direção ao meu dia mais irreal, ao meu dia com Isabela.

domingo, 6 de setembro de 2009

Minha vida e Isabela (Parte2)

“Fraco é o homem que não consegue domar seus próprios demônios.”


- O sol da manhã é mesmo lindo. - pensei.
Não devia ser mais do que oito horas. Vitória já não estava em casa. Aos sábados ela trabalha até tarde. Surpreendi-me de início, pois havia bastante tempo que eu não aproveitava uma folga dessa maneira, portanto a falta de costume era normal. Resolvi sair da cama, depois de muito enrolar. O dia parecia estar mesmo perfeito por ali. O sol brilhava forte e adentrava singelo o quarto pelas frestas da janela. A brisa que o acompanhava me afagava o rosto. Uma mistura de sensações que impossibilita qualquer mau humor matinal. Sentei à beira da cama e só daí lembrei-me de Isabela. Aquela menina estava em minha casa, provavelmente dormindo, afinal eram oito da manhã de sábado. É comum que os jovens durmam até mais tarde. Parei para pensar o quão rápido e desprovido de atenção, foi meu encontro com ela na noite anterior. Eu estava tão cansado, tão desligado, que mal pude dar o devido olhar para a situação. Mas agora eu teria tempo. Poderia conversar com ela e quem sabe colocar algum juízo naquela mente jovem e conturbada.
Envolvi-me num roupão e rumei em direção ao banheiro que se encontra ao fim do corredor.
Para chegar até ele, é preciso passar diante da porta de três quartos. Num deles dormia Isabela. Não fazia idéia de qual. Fui de repente tomado por uma curiosidade que não me era de costume. Queria verificar se a menina estava bem, se estava mesmo dormindo serena como eu imaginava. Abri com cuidado a primeira porta, mas me deparei apenas com uma cama muito bem arrumada e alguns lençóis embrulhados. Rumei em direção à segunda e eis que com toda a cautela toquei a maçaneta, girando-a para a direita. Abri. Lá estava ela. Adentrei apenas o olhar para que não fosse notado caso ela já estivesse acordada. Notei então que ainda dormia. Mas lhe confesso, caro leitor, que essa não foi a primeira coisa que notei.
Meus olhos se voltaram instantaneamente para uma análise detalhada de seu corpo. Ela não estava envolvida por lençóis. Encontrava-se deitada de lado. Trajava, naquele momento, nada além de um short curto e uma blusa fina. Pasmei com a silhueta de seu corpo. Era perfeita. Era delicada. Mostrava-se ali uma mulher.
E naquele momento,encostado ao ébano da porta, pude detalhar cada centímetro do corpo dela, que descansava sobre a cama numa paz incalculável.
Sua pele era clara, tanto quanto a de Vitória. Porém seus cabelos, diferentemente da irmã, eram negros. Negros como a noite. Desciam pelo seu corpo, como uma cascata. Eram lisos e finos. Eram lindos. Um contraste de beleza sem igual. Lembrei-me das obras pintadas que abarrotavam os corredores de nossa casa. Mas aquilo era real. E ao final dos segundos que me pareceram eternidade, pude notar a situação na qual me encontrava. Horrorizado com os pensamentos que me vieram à cabeça, fechei a porta desprovido da delicadeza inicial. Tomei de volta o rumo, entrei no banheiro e por lá fiquei. A porta, devidamente trancada. Um suspiro. A água no rosto costuma tranqüilizar.

-Vai passar. - disse a mim mesmo.

Minha vida e Isabela (Parte1)

Ao leitor, desejo de todo o coração que tente não se identificar com minha história. Se por algum motivo encontrar semelhança entre minha vida e a sua, procure de todo o modo não terminar como eu. Faça com que o trecho, humildemente narrado aqui, lhe sirva, ao menos, como um exemplo a não ser seguido.

Chamo-me Ezequiel. No momento tenho 32 anos. Sou casado com uma bela mulher chamada Vitória. Costumo brincar com minha esposa e lhe dizer que ela faz jus ao nome que lhe foi imposto. Trata-se de uma executiva, bem sucedida e de muitos talentos. Cursou uma das melhores faculdades, graças a seus dotes intelectuais. Domina três idiomas com fluência e é portadora de um dom para lidar com as pessoas, sem igual. Além de excelente profissional, Vitória é também uma excelente esposa, e amiga. Sua beleza é estonteante. Lindos cabelos loiros e olhos da cor do céu. 31 anos emoldurados num corpo de 25. Como pode ver, caro leitor, não tenho do que reclamar quanto à minha companheira. Porém é comum que nenhum de nós se sinta, em vida, plenamente satisfeito. É da natureza humana, desejar algo mais, ainda que não se saiba direito o que.

Moramos em um bairro na parte nobre da cidade. A casa foi, em grande parte, projetada por mim. A cozinha, os quartos, a sala, tudo tem um toque especial que faz com que o lugar tenha muito de mim e que possa agradar ao máximo minha esposa. Sou arquiteto, portanto projetos como esse são minha especialidade.
Não temos filhos. Não acreditamos que estejamos prontos para tamanha responsabilidade, mas não me nego a ter um, ou dois, algum dia. Nem Vitória. Só concordamos que não é a hora ainda. Afinal, tudo em nossa vida parece estar muito bem encaixado. Não há motivos para mudar a rotina. Temos uma vida confortável, com bons empregos, uma bela casa e nos damos muito bem, afetiva e sexualmente, devo acrescentar.

Nos últimos dias, tenho notado minha mulher um tanto eufórica, como se algo a incomodasse, como se estivesse me escondendo algum segredo. Estávamos casados a anos, eu sabia quando algo a afligia, mas achei melhor não dizer nada.
Mais alguns dias se passaram, sem maiores transtornos até que numa noite, ao chegar cansado do trabalho, me deparo com algumas malas próximas à porta. Desconfio. Enquanto retirava a gravata e o paletó, rumei em direção à cozinha, da qual pude ouvir algumas vozes, distinguindo apenas uma delas, a de minha esposa. A outra, tratava-se de uma voz também feminina, parecia jovem. Era quase inaudível. Um sussurro.

Ao atravessar a porta, deparei-me com Vitória sentada à mesa, ainda com roupas de trabalho. Encostada na pia, perto da bancada, havia uma jovem menina. Aparentava não ter mais do que 16 ou 17 anos. Algum tempo depois, descobri que sua idade era na verdade 15. Acabara de fazer 15 anos, para ser mais preciso. Tratava-se de Isabela, irmã de minha esposa, minha cunhada. Eu a havia visto em algumas reuniões de família. Confesso que não era muito fã desse tipo de evento e desejava me desvencilhar do compromisso, sempre que possível. Mas aquela menina, o que poderia estar fazendo em minha casa a horas tais? Teria acontecido alguma tragédia? Resolvi me sentar e deixar que minha esposa explicasse tudo. Quase uma hora de conversa. A menina manteve uma distância considerável de mim durante todo o papo. Pude entender ao final de tudo, que a pequena Isabela havia fugido de casa. Aprontou suas malas, pegou um ônibus e após um longo trajeto, chegara até nós.
Os pais de Vitória eram severos, ela mesma me contou histórias sobre sua infância na qual eles não permitiam que ela saísse de casa com os amigos, tampouco namorasse. Na verdade era uma prática comum no lugar onde foi criada. Uma cidade do interior com métodos conservadores. Mas ao que parecia, Isabela não tinha a mesma calma de Vitória. Era uma menina tinhosa e cheia de vontade de explorar o mundo, o desconhecido. Acima de tudo era corajosa. Sair do interior sozinha, com 15 anos e sem entender quase nada da vida aqui na cidade, não era coisa pra qualquer um. Essa petulância me cativou e me fez abençoar sua atitude, ainda que errada. Levantei da cadeira, aproximei-me da menina e lhe abracei com carinho. Prometi ali que tudo ficaria bem. E que eu estava disposto a permitir que ela ficasse na casa o quanto quisesse. Ela sorriu, um tanto desconcertada com meu abraço, mas meneou a cabeça como a quem agradece em silêncio.
Vitória prometeu ligar pros pais para explicar tudo, em seguida iria acomodar Isabela em um dos quartos de hóspedes. Tudo parecia estar sendo acertado. Decidi então não me envolver mais. Já era tarde. Despedi-me das duas e rumei em direção à cama. Estava exausto, havia sido um dia cheio e tudo o que eu queria naquele momento era dormir e aproveitar a longa noite de sono, afinal, o dia seguinte
era Sábado, bendito Sábado.